O presidente da Expodireto Cotrijal e da CCSA, Nei César Manica, reforça que coletividade é o caminho para tornar o seguro mais acessívelCustomização de apólices e criação de fundo catastrófico podem ser o caminho para reduzir riscos
Enquanto a produtividade segue como prioridade no campo, a discussão sobre proteção ganhou espaço na 26ª Expodireto Cotrijal. O pela primeira vez na programação, o Fórum de Seguros da Cooperativa Central de Serviços Agropecuários (CCSA) levou ao debate a importância de instrumentos eficientes para enfrentar eventos climáticos e oscilações financeiras para não travar o avanço da produção. No Brasil, perdas causadas por eventos climáticos extremos já somam dezenas de bilhões de reais por ano, enquanto apenas uma parcela limitada da área cultivada conta com cobertura securitária.
Fundo catastrófico em debate
Um dos principais pontos do encontro foi a necessidade de estruturar um fundo catastrófico nacional, capaz de diluir riscos e ampliar o acesso ao seguro agrícola. A proposta depende de articulação entre governo federal, estados e setor privado, e ainda busca consenso sobre modelo e financiamento.
Para o presidente da Cotrijal e da CCSA, Nei César Manica, a construção coletiva é o caminho para tornar o seguro mais acessível. “Se nós tivéssemos um fundo de seguro consistente, onde todos pagassem uma parte, com certeza o produtor poderia fazer uma apólice mais barata, ter uma cobertura maior e um risco menor com a seguradora”, afirma. Ele lembra que o sistema cooperativo reúne um universo expressivo. “São quatro milhões de hectares em que poderíamos trabalhar com o seguro agrícola, mas a grande maioria das 130 mil colheitadeiras não possui cobertura”, alerta.
Na avaliação do vice-presidente da Cotrisoja e da CCSA, Adriano Borghetti, a ampliação do seguro é uma necessidade diante das incertezas. “O produtor convive com fatores que fogem ao seu controle, principalmente o clima. Fortalecer instrumentos de proteção é fundamental para garantir segurança e previsibilidade”, disse.
Seguro cada vez mais personalizado
Outro eixo do debate foi a necessidade de produtos mais ajustados à realidade do campo. Especialistas do setor defenderam a customização das apólices, considerando culturas, regiões e níveis de risco. Modelos internacionais e experiências de estados como Paraná e São Paulo foram citados como referência para ampliar a subvenção e melhorar a cobertura.
A discussão também passou pela base técnica da produção. O gerente de Pesquisa da CCGL e da RTC, Geomar Corassa, apresentou dados que reforçam o peso do clima no resultado das lavouras. “Nos últimos 45 anos, perdemos em média 32 dias chuvosos por ano, mas com maior variabilidade, alternando períodos secos e chuvas intensas. Precisamos nos adaptar a esse cenário”, explicou.
O painel de “Cenários e Perspectivas do Seguro Agrícola", reuniu representantes do mercado segurador e de instituições do setor, entre eles o presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg e head de agronegócio da Swiss Re Corporate Solutions, Glaucio Toyama; a superintendente de relações com o Poder Legislativo da CNseg, Marianah Villela; o head de agro da Essor Seguros, Raul González; o diretor de novos negócios da IRB(Re), João Pinto Rabelo Júnior; e o vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Daniel Nascimento, que contribuíram com análises sobre cenários, desafios e alternativas para ampliar a proteção no campo.
Caminhos apontados pelo fórum
28 - Mai
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