Fórum de Conservação do Solo debate tecnologias, plantio sustentável e expansão da irrigação

Programação apontou desafios e estratégias para os produtores do Rio Grande do Sul

A sustentabilidade na produção por meio de solos saudáveis e uma irrigação eficiente, combinada com planejamento no plantio, fez parte das reflexões do 10º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água realizado no Auditório Central no segundo dia da Expodireto Cotrijal 2026. O evento reuniu especialistas, produtores e representantes de entidades do agronegócio para uma tarde de partilha de conhecimento técnico, além da apresentação de um case que ilustrou como as boas práticas trazem resultados efetivos no campo.

A abertura ficou a cargo do chefe-geral da Embrapa Trigo Jorge Lemanski, e o chefe de Transferência de Tecnologia, Giovani Faé. Lemanski apresentou dados relativos ao cenário atual das condições de solo e chamou a atenção para a desordem física e química dos solos, com baixa taxa de infiltração de água e uma grande concentração de nutrientes na primeira camada, que corresponde entre sete e dez centímetros. “Há uma grande desordem química na camada subsuperficial, identificada em mais de 40% das 379 mil análises de solos realizadas entre 1984 e 2022, com presença de alumínio tóxico e a ausência dos níveis críticos mínimos de fósforo e potássio”, pontuou.

“Essa desordem nos levou ao que chamamos de efeito do rio sanfona, que enche rapidamente e esvazia rapidamente", alertou. De acordo com o pesquisador, esse problema, inclusive, foi sentido pelo estado na catástrofe de 2024, quando o solo não conseguiu absorver um volume maior de chuva. Por fim, ele apontou que o plantio realizado na região Noroeste do estado, com “morro acima, morro abaixo”, é a mais alta tecnologia de cultivo de solo.

...............................................................

Agrossilvipastoril

O sistemat é uma modalidade de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) que combina, na mesma área e tempo, cultivos agrícolas, criação de animais e plantio de árvores. Essa prática sustentável busca aumentar a produtividade, diversificar a renda, melhorar o solo e proporcionar conforto térmico aos animais. Fonte: Embrapa

...............................................................

Já Faé, sublinhou que a discussão sobre os elementos químicos no solo é relevante na atualidade. “O grande desafio é fazer chegar no campo as tecnologias e romper as barreiras criadas pela falta de conhecimento”, ponderou.

No primeiro painel “Produção Sustentável nas atividades agrossilvipastoris”, Paula Hofmeister, assessora da presidência do Sistema Farsul, deixou o recado que é preciso usar as tecnologias a favor do agronegócio, já que não há como alterar o clima para atender necessidades individuais. Paula comentou que o país tem uma grande oportunidade com a geração de energia por meio da produção do biodiesel. Também afirmou que o Brasil se destaca como exemplo de sustentabilidade no campo. “Somos modelo de agricultura sustentável em conferências e para outros países que buscam um modelo de produção que concilie a mitigação e o sequestro de carbono com as atividades produtivas, produzindo cada vez mais, de forma eficiente e qualificada”, explicou.

A segunda palestra do fórum tratou da “Outorga de Usos de Água Superficiais no Rio Grande do Sul”, ministrada por Francisco Antonello Marodin, especialista em infraestrutura da Divisão de Outorga do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema). Ele sustentou que a água, por ser um recurso natural valioso, precisa ter um uso eficiente, incluindo a irrigação. Inclusive, o território gaúcho é o estado com maior retirada de água no País, impulsionado historicamente pelo cultivo de arroz.

Marodin trouxe esclarecimentos sobre a legislação e destacou que a irrigação é parte de um manejo, sob gerenciamento do Estado por meio das outorgas. Dessa maneira, o governo regulariza captações (rios, poços), lançamento de efluentes, construção de barragens e outros usos.

O cenário atual da irrigação no Rio Grande do Sul foi analisado por Cleiton Dalla Santa, especialista em irrigação e terceiro painelista do fórum com o tema “A importância de uma irrigação eficiente e do uso racional da água”. Conforme Dalla Santa, no Brasil são cerca de 8 milhões de hectares irrigados, com potencial para chegar a 55 milhões de hectares. “Há, portanto, uma enorme área a ser explorada com diferentes sistemas, seja por superfície ou inundação, aspersão ou pivô central, entre outros”, avaliou. O palestrante chamou atenção para a necessidade de um solo saudável. “Muitas vezes se irriga antes de ter uma maturação fisiológica e se tem perdas no final”, analisou. Na avaliação de Dalla Santa, o acesso ao crédito é um dos desafios para o avanço da irrigação no Estado.

Sucesso do sistema ILP

Ao final, o fórum trouxe o case de sucesso de manejo de solo e sistema produtivo de produção da Fazenda Bela Vista, de Boa Vista do Cadeado. A propriedade é de Émerson Schaedler, 53 anos, que ao lado da esposa, Priscila, e das filhas Marília, formada em Agronomia, e da estudante de veterinária, Júlia, também já prepara a sucessão familiar do negócio.

Schaedler abandonou o plantio tradicional em 2019 na fazenda de 820 hectares para adotar o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O manejo consiste em 110 hectares de pastagem perene para o gado durante todo o ano, enquanto o restante da área recebe pastagens de inverno de forma rotativa. "Decidimos diversificar para melhorar o fluxo de caixa e a qualidade do solo", explicou Schaedler. A mudança foi acompanhada de fortes investimentos em consultoria e pesquisa. O trabalho em sua propriedade o levou a se sagrar campeão por dois anos consecutivos da Liga i2X de produtividade de soja em área de ILP e premiado no ano de 2022 pela Associação Brasileira de Angus na modalidade “Produtor Revelação”.


siga no instagram

@exporevista